Eu sempre mantive um estilo de vida, uma certa filosofia que eu mesma criei. Eu sempre valorizei muito ser verdadeira com as pessoas, e digo isso no sentido literal, no sentido de não mentir nunca. Eu sempre, antes de tomar qualquer atitude pensei: minha mãe se orgulharia disso? Eu contaria aos meus filhos?
Sempre fui muito fixa, tanto em objetivos quanto em pessoas. Eu sempre insisti em algo ou alguém até que eu sinta que realmente não quero ou não posso, caso contrário eu não me desprenderia de verdade sabe?
Sempre fui muito amorosa com as pessoas independente do relacionamento que tenho com elas, mas sabendo que em algumas vezes essas pessoas não estariam na mesma sintonia e que é hora de ir.
Sempre fui uma pessoa de paixões, ideias, pouco voltada a desejos ou fugindo ao máximo deles.
Boa amiga, atenciosa, protetora, preocupada, carinhosa, disponível, mas....Tem sempre o mas, não é mesmo? Nunca boa o suficiente, ou não vista como "alguém" apenas ouvindo sobre seus "alguém" Mas só. E sempre será assim. "Eu sempre insisti em algo ou alguém até que eu sinta que realmente não quero ou não posso" Essa reflexão uma hora chegaria, mas eu sempre pensei que seriamos mais, não "mas".
"Sai, corre logo. Afasta-te das ventanias cruéis que ameaçam revirar-te a vida e os sonhos pelo avesso [...] Foge das tempestades. Das estradas sem rumo. Das folhas ressequidas, espalhadas em terrenos áridos e desconexos. Teus dias pinta-os com aquarelas leves e doces, mescladas a tons pastel.As horas não devem ser transformadas inexoravelmente em cinzas, quem te disse? Embora saibamos que se trata de horas mortas, inertes em relógios de parede enferrujados pelo cansaço. Relógios, cujos ponteiros foram derretidos pelos vastos incêndios que se apossaram silentes da tua alma atônita. Sai! Despede-te rapidamente das águas turvas, habitadas apenas por sinuosas enguias. Não enxergas peixes dourados, nem vermelhos? O lodo não te serve, então. Tampouco a escuridão de um dia sem sóis nem estrelas. As árvores morreram alguns tocos ainda repousam no jardim abandonado. Raízes secas gemem por água. Mas o jardineiro se foi, levando junto com as despedidas os antigos cuidados dispensados ao verde que aí vicejava [...] Um sentimento que parece ter escorrido pelas vielas de tempos imorredouros. Olha e te surpreende. Pois há linhas de seda para tricotar novas promessas de amores leves, já nascidos com asas. Amores azuis que flertam com a presença suprema da liberdade. Se porventura entrares num bar escuro e sujo e perceberes que os frequentadores flertam somente com o álcool mantendo o rosto duro, impassível e macilento. Os olhos de pedra fosca cravados no fundo do copo, no qual mágoas flutuam sobre escassas pedras de gelo, não te aproximes. Abandona o recinto. Pois aí não há amor. Somente amarguras e nostalgias graves e empoeiradas [..] O bom sexo demanda uivos gloriosos, saudáveis e selvagens desatinos. Assim, aguarda paciente pela entrega plena e desarmada. Ela virá sem avisos prévios e te surpreenderá com danças e valsas. Recusa de imediato o namoro insípido, porque não há sal que dê jeito em afetos falidos [...] A maldade ronda a vizinhança, se intromete em eclipses, passeia com os pés descalços em imensos desertos brancos. Mas lá tu não irás, temos certeza, pois falta amor — teu coração já anunciou. Além disso, felizmente também contas com os afáveis sussurros da natureza, que entremeiam tuas histórias e caminhos, sempre rodeados de ideais e de esperanças" (TAGUTI, G. 2018)
"Onde não puderes amar não te demores"