segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Uma vida inteira contada em 27 linhas.

Saudades de quando a vida era mais dedicada ao mundo, do que a si próprio.
Daquele riso inocente, em uma roda com as amigas. Daquele fim de semana na casa da Vovó, com aqueles seus primos chatos, que insistem em pegar no seu pé. Daquele garoto fofo da turma do inglês ao qual você não parava de olhar. Esse ano, tem sido tão frio. Não notaram? Tudo que se vê por ai é: Vestibular, Faculdade, Emprego.  
 - Ah, eu estava pensando em fazer uma sessão cinema aqui em casa
- Pra mim não dá, preciso revisar as matérias do cursinho.
- Pra mim também não, trabalho nesse sábado.


A vida adulta é um passo difícil meus queridos. O mais engraçado é que quando somos crianças, ficamos deslumbrados com o fato de sermos adultos, achamos chato não termos tamanho para pegar algo em um armário, ou não ter dinheiro pra comprar aquele brinquedo, ou até autorização para comprar aquele filhotinho lindo, que tanto queríamos ter no quintal. A questão é, quando finalmente adquirimos independência financeira, não temos mais tempo nem idade para comprar aquele brinquedo, ou até para brincar com aquele filhotinho que tanto queríamos. E depois da faculdade, que já é um passo importantíssimo, para piorar um pouco vem a questão de trabalharmos com o que passamos 4,5, ou até 6 anos estudando na faculdade. E ai ta o problema. Nem sempre conseguimos cumprir nossa função como psicólogo, advogado, engenheiro, entre outras profissões que demoramos anos para escolher, e até para se formar em tal curso. E ai vem o casamento, uma vida a dois, discussões padrões sobre como foi chato o dia no serviço. E ai vem os filhos, e é ai que temos que acordar para a vida, e pensar no próximo, não só em nós. Em qual escola ele vai estudar? Que tipo de amizades ele terá? Com qual idade devo deixá-lo (a) namorar? Devo deixá-lo (a) ir a tal passeio/festa? E é ai que temos duas opções: Ser amiga ou mãe? E ai vamos ficando mais velhos, com mais tempo e menos energia para qualquer tipo de atividade que antigamente era rotineiro.  E temos que olhar um pouco para o passado, quando não ligávamos tanto para nossa alimentação, ou hábitos. E que no momento, com uma idade acima de 60 anos, estamos pagando por tais descuidos. E vamos adoecendo, e tendo menos tempo e energia para brincar com nossos filhos, que agora nos deram netos. E após um dia calmo, porém cansativo deitamos em nossa cama, fechamos os olhos eternamente, e finalmente descansamos em paz. 

- Karen Alves

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