segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A flor e o humano

Essa é a história de Madalena. Madalena era uma flor, como tantas outras no jardim de Roberto. Roberto era um humano cultivador de flores. Um humano sensível, de olhos azuis e cabelos loiros. Em uma das caminhadas de Roberto, notou que Madalena era uma flor diferente das outras. Não fisicamente mas em sua essência. Roberto então começou a visita-la todos os dias. Regava folha por folha, assoprava de leve Madalena, o que a fazia rir de cocegas. Roberto então resolveu chamar seus amigos para conhecerem Madalena. Dois homens de aparência gentil. Observaram Madalena folha por folha. Ao saírem de perto de Madalena, indo em direção a porta, disseram a Roberto: - Aquela flor tem muitos espinhos, não acha?!. Roberto então se questionou. Ele nunca havia visto espinhos em Madalena, mas os dois homens que ele tanto confiava disseram que havia muitos. Será?
Roberto então visitou Madalena na manhã seguinte. Olhou-a bem de perto. Nada de espinhos.
Seu celular vibrou, era Francisco que o visitou no dia anterior:
 - Viu os espinhos?
- er....Claro que vi Chico
- Essa flor é um pouco estranha.
- Sim, concordo Chico. Mas preciso desligar. Um abraço.
Madalena então se chateou, espinhos? Onde?
Roberto viu Madalena molhada e ficou na dúvida se já a havia regado. O que ele não sabia é que não era simplesmente água e sim as lágrimas de Madalena.
Na manhã seguinte, Roberto estava distante. Molhou Madalena do alto, sem observar se todas as folhas haviam sido regadas.
Chico chegou de surpresa e observou Roberto regar Madalena:
- Rega de longe mesmo, são muitos espinhos e eles podem te furar.
Roberto olhou ali, olhou aqui e não viu nenhum espinho. Mas ainda sim retrucou:
- Verdade, não quero cortar meus dedos.
Madalena em lágrimas terminou de se regar sozinha.
Na manhã seguinte Roberto não veio visita-la. A deixou lá naquele calor. Sem água, sem carinho. Madalena novamente se regou sozinha em lágrimas.
Na outra manhã, uma sombra se aproximando. Era Roberto.
Roberto olhou ali, olhou aqui e disse:
- Ela tem vários espinhos, Francisco está certo.
Madalena então naquela noite se lembrou de uma história que ouvira a tempos de sua vizinha: Há uma bruxa nessas proximidades. Uma bruxa que realiza qualquer desejo. Mas tem um preço. Qual será?
Madalena então tirou seus pés da raiz e caminhou até a parte proibida do jardim em busca da tal bruxa. Ela tinha que ser rápida. É sempre bom manter os pés no chão.
Madalena caminhou bastante e nada da tal bruxa. Quando estava prestes a desistir, uma voz soou em meio ao vento:
- O que queres bela flor?
- Bruxa... é você?
- Não fales assim bela flor. Não sou uma bruxa, sou uma pessoas com “poderes especiais”
- Eu estou cansada minha senhora. Roberto me aponta espinhos, espinhos do qual eu não possuo. Sou apenas uma flor.
- Eu sei do que precisas bela flor. Mas preciso de algo em troca
- Tudo o que desejar, senhora.
E assim, a bruxa cortou uma das folhas de Madalena.
Na manhã seguinte, Roberto acordou arrependido. Por que jugastes assim a bela Madalena? Por que ouviu eles? Eles não a conhecem como ele, não sabem do que estão falando. A Madalena não tem espinhos, ela é apenas uma flor. Uma bela flor.
Roberto correu para se desculpar com Madalena. Ao chegar lá, ficou parado em choque. Madalena havia se transformado no que ele tanto apontava. Madalena se transformou em um Cacto.
Roberto tentou se desculpar mas Madalena o furou com um de seus vários espinhos.
Madalena vestiu a roupa que tanto Roberto lhe apontava.
Roberto nunca mais a viu.



Vocês que estão lendo, cuidado para não serem um "Roberto" na vida de uma Madalena. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário