"Quando você ler esse bilhete já estarei na rodoviária, quem sabe até na auto estrada. Viajei pra uma cidade chamada Solitária.
Cansei de ser joguete, cacete, cansei de ser tão maltratada"
Acho que essa música belíssima da "Banda mais bonita da cidade" é uma boa introdução.
Eu venho dando o melhor de mim, e isto tem aumentado a cada ano. Cobranças internas, externas, metas de realização, de tratamento comigo e com os outros. Já tentou se colocar no meu lugar?
Sempre está ruim para você, para os outros. A famosa madre Teresa de Calcutá, sempre fazendo o bem. Será? Não sou perfeita, mas também não sou ruim. Eu mereço mesmo o que tu faz comigo?
A maioria de nossas conversas são espelhos vindo de você: "Você está me julgando?" "Você é ciumenta" "Você está me humilhando" "Você está me cobrando" "Você está tentando me controlar" "Você zomba de mim" o que tu faz afinal? Por que está constantemente me julgando ou julgando aos outros já que é algo que enxerga em mim e considera ruim? Por que me controla? Por que me põe pra baixo? Por que rebaixa tudo que gosto? Esses defeitos são mesmos meus ou somente meus?
O seu machismo que você nega muitas vezes te cega, te dando uma visão de que somente você é racional e enxerga tudo com clareza.
"Não foi bem assim, ela tem uma visão conturbada das coisas" "Você perde o controle" "Mulheres são difíceis" Esta generalização não combina com a inteligência que tenta passar. Eu sou mesmo como todas?
Você costuma dizer que sou diferente, mais madura, mais racional, mais mais mais mais...Mas só quando você está sendo beneficiado ou feliz consigo, caso contrário, eu sou sempre ruim (mesmo você insistindo que eu quem te coloco nesta posição)
Você se prioriza e isto é ótimo, mas poderia pelo menos fingir que se importa com as minhas necessidades e pedidos?
Dizem que não há uma definição de amor, mas eis uma que consigo dar: Amar é querer o outro bem, e quando você for o motivo deste mal, se importar com o sentimento do outro. É querer conhecer o mundo do outro, suas crenças, paixões, gostos, não somente os seus. É querer tá perto, mesmo que não seja no sentido de presença. É dar atenção. É entender o lado do outro, como por exemplo a interpretação que ele pode ter dado ao que disse ou ao que ele sentiu quando disse ou fez algo. Não é frescura, não é drama, não é afronta. É respeitar, mesmo que outro cara esteja ali te pressionando a querer afirmar uma masculinidade frágil que precisa de atitudes babacas. É enxergar além do palmo do seu nariz. É ouvir, aceitar uma segunda opinião.
Eu poderia gastar o dia todo escrevendo o que penso sobre o amor, que ainda teria o mesmo resultado: solidão.
Por que solidão? o amor romântico, o amor que se doa, não existe mais. Aquele amor que durava 50 anos. E quando dou este exemplo não me refiro a amores que só duravam tal tempo porque a mulher tinha medo, estava infeliz etc, como em séculos antigos. Me refiro a amores felizes, do qual vocês estavam ali porque eram loucos um com o outro, e nem o tempo, nem ninguém foi capaz de acabar com isso.
Soa até inocente querer algo assim no mundo de hoje. E soa também como se amor fosse tudo, e não é. Amor não é nada se não acompanhado de respeito e dedicação. Pra mim esse triângulo é perfeito. Triângulo, essa palavra me remete a algo sobre mim que não foi fácil para você, quem dirá para mim. "Half of my heart" do John Mayer define tão bem esta história.
O amor romântico está mesmo longe. Atualmente tampamos buracos com pessoas ou coisas. E dependendo do buraco, do vazio, nos entregamos verdadeiramente a este outrem e dificilmente largamos. Sei bem como é, acreditem.
Eu não sou perfeita, como muitas vezes você me define, mas eu me dedico verdadeiramente, e não quero menos do que eu proporciono.
Vamos somar? Vamos por na prática tudo aquilo que me sempre me dissestes? Não? Então SOME !
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